Paolino Maria Baldassari, da Ordem dos Servos de Maria, segue como uma das figuras religiosas mais marcantes da história recente do Acre. Nascido em 2 de abril de 1926, em Quinzano di Loiano, na província de Bolonha, na Itália, e morto em 8 de abril de 2016, em Rio Branco, o sacerdote dedicou grande parte da vida à Diocese de Rio Branco, com atuação intensa em Sena Madureira, comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas. Em 2022, a Igreja Católica abriu oficialmente sua causa de beatificação, e ele passou a ser reconhecido com o título de Servo de Deus.
Paolino construiu uma trajetória que uniu evangelização, assistência popular, defesa de direitos sociais e forte vínculo com a floresta amazônica. Ao longo de décadas, tornou-se uma referência religiosa e comunitária no Acre, especialmente entre populações mais pobres e isoladas.
Da Itália ao Brasil
Filho de um pedreiro e de uma agricultora, Paolino enfrentou dificuldades ainda na juventude. Trabalhou como ajudante de pedreiro e teve obstáculos na vida escolar. Em 1937, ingressou na Ordem dos Servos de Maria.
Durante a Segunda Guerra Mundial, chegou a ser convocado pelo exército italiano para um agrupamento responsável pela proteção de linhas de telecomunicação. Antes de seguir para o front, porém, desertou para concluir seus estudos no Brasil, segundo o material de base enviado.
Ele chegou ao país em 1950, fez a profissão solene no ano seguinte, estudou Teologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e foi ordenado sacerdote em 22 de dezembro de 1953, em São Paulo.
Missão no Acre
Depois de atuar em Turvo, em Santa Catarina, Paolino chegou ao Acre em 1955. Passou por Boca do Acre, Brasiléia e Sena Madureira. A partir de 1968, fixou seu ministério paroquial em Sena Madureira, onde permaneceu até a morte.
Foram quase 46 anos como pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição. Nesse período, também percorreu comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas, realizando desobrigas e visitas pastorais em áreas de difícil acesso.
Sua presença constante nas regiões mais isoladas fez dele uma figura profundamente ligada à realidade amazônica, onde a missão religiosa muitas vezes se confundia com apoio social, escuta, acolhimento e cuidado direto com a população.
O “médico da floresta”
Padre Paolino ficou conhecido popularmente como o “médico da floresta”. O apelido nasceu do conhecimento que desenvolveu sobre ervas e plantas medicinais, aprendidos a partir de saberes populares e indígenas.
Sempre de batina e com uma maleta de folhas, remédios caseiros e unguentos, ele fez incontáveis atendimentos ao longo dos anos, muitas vezes dentro da própria paróquia. Também publicou o livro Medicina da Floresta – Fonte de Vida, reunindo receitas naturais voltadas ao tratamento de mais de 150 doenças.
Esse trabalho ampliou sua imagem para além do sacerdote tradicional. Na memória de muitos moradores, Paolino virou sinônimo de cuidado integral, reunindo fé, escuta, medicina popular e compromisso com a vida concreta das pessoas.
Educação floresta e justiça social
A atuação de Paolino não ficou restrita à igreja. Segundo o material enviado, ele ajudou a construir mais de 40 escolas em áreas de difícil acesso, reforçando o papel da educação como instrumento de transformação social.
Também era defensor da floresta e apoiava a luta dos seringueiros pelo direito à terra e contra o desmatamento. Seu nome passou a ser associado à defesa de colonos, povos indígenas e trabalhadores ameaçados por conflitos fundiários.
Por sua atuação contra crimes de pistolagem praticados por fazendeiros em disputas de terra, chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 1993, segundo os dados apresentados no texto-base. Nos anos seguintes, recebeu homenagens e indicações ligadas à defesa dos direitos humanos, incluindo menções à Comenda de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara e, em 2015, a Comenda do Cinquentenário do Ministério Público do Estado do Acre.
Morte e comoção
Padre Paolino morreu em 8 de abril de 2016, aos 90 anos, após 11 dias internado na UTI do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco. Segundo o relato enviado, ele sofreu uma parada cardíaca seguida de falência de outros órgãos por volta das 14h.
O corpo foi sepultado em 11 de abril daquele ano, em um jazigo construído na Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Sena Madureira, cidade onde consolidou sua missão e deixou sua marca mais profunda.
Sua morte provocou forte comoção no Acre, especialmente em Sena Madureira, onde o religioso já era visto como patrimônio afetivo, espiritual e social da população.
Homenagens mantêm legado vivo
Nos anos seguintes, o nome de Padre Paolino passou a ser associado a diferentes homenagens públicas. Uma creche em Sena Madureira recebeu seu nome. Em 2017, a prefeitura instituiu 8 de abril, data de sua morte, como feriado municipal.
Em 2021, também foi criada a Comenda Padre Paolino Maria Baldassari. Já em 2023, foi inaugurado um memorial no terreno da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, com objetos pessoais do religioso, como batina, sapatos, maleta de medicamentos, mesa e maca usadas nos atendimentos.
No fim do mesmo ano, o governo do Acre inaugurou a Ponte Frei Paolino Baldassari sobre o rio Iaco, em Sena Madureira, ampliando ainda mais a presença simbólica de seu nome no estado.
Processo de beatificação
Os primeiros passos para o processo de beatificação começaram em 2019, na Diocese de Rio Branco, com atuação do postulador da Ordem dos Servos de Maria, Frei Franco Azzali.
Depois que a Congregação para as Causas dos Santos emitiu o nihil obstat, o inquérito diocesano foi oficialmente aberto em 21 de maio de 2022. Desde então, Padre Paolino passou a ser reconhecido pela Igreja com o título de Servo de Deus.
Caso a beatificação avance e seja confirmada no futuro, ele poderá se tornar o primeiro pároco da Amazônia a receber esse título, segundo o material enviado. Há ainda relatos de um milagre atribuído a ele sob investigação no processo eclesiástico.
Por que sua história continua atual
A trajetória de Padre Paolino reúne elementos que explicam sua permanência na memória coletiva do Acre: proximidade com os pobres, defesa da floresta, atuação junto a povos tradicionais, valorização de saberes populares e enfrentamento de injustiças sociais.
Em uma região marcada por desigualdade, isolamento geográfico e conflitos pela terra, sua missão ultrapassou os limites da vida paroquial. Ele se tornou uma figura de referência para a fé, para a ação humanitária e para a defesa da dignidade humana.
Siga, compartilhe e participe:
Instagram: https://www.instagram.com/teologiadalibertacao/
Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=61571509464663
Threads: https://www.threads.com/@teologiadalibertacao
TikTok: https://www.tiktok.com/@teologia_da_libertacao?lang=pt_BR
YouTube: https://www.youtube.com/@Teologia_da_Liberta%C3%A7%C3%A3o
Canal no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VbB2uA75vKABQfj40C0W
Siga, compartilhe e ajude a fortalecer uma fé comprometida com a justiça, a dignidade humana e a transformação social.

Comentários
Postar um comentário